Mundo Militar
Por João Victor Castro, Forças Globais - 20 de Julho de 2026
O cenário fictício de crise regional exigiu a formação de uma força de coalizão diversificada, onde a interoperabilidade foi testada ao limite. O exercício simulou uma resposta multinacional autorizada por organismos internacionais para restaurar a estabilidade de um país fictício mergulhado em conflito, exigindo que diferentes forças aéreas atuassem sob um comando único, compartilhando informações em tempo real, padronizando procedimentos e executando missões de elevada complexidade.
Além da integração entre aeronaves de diferentes gerações e fabricantes, o Salitre 2026 buscou validar a capacidade de planejamento conjunto entre pilotos, controladores de defesa aérea, equipes de inteligência, operadores de guerra eletrônica e especialistas em logística. Abaixo, detalhamos a participação dos principais atores internacionais:

Para esta edição, a FAB mobilizou um destacamento de peso, demonstrando maturidade logística e operacional. O grupo brasileiro foi composto por:
Este desdobramento foi o maior realizado pelos Gripen desde sua incorporação oficial, testando não apenas a aeronave, mas toda a infraestrutura de apoio necessária para operar a milhares de quilômetros de suas bases de origem. O exercício também colocou à prova a capacidade da FAB de manter uma elevada disponibilidade das aeronaves em ambiente expedicionário, garantindo que pilotos, mecânicos e equipes de apoio atuassem de forma integrada durante todo o período das operações. A experiência obtida permitirá aperfeiçoar futuras missões internacionais e fortalecer a doutrina de emprego do F-39E em cenários multinacionais.
O Desafio do Atacama: Interoperabilidade e Tecnologia
O Exercício Salitre, organizado pela Força Aérea do Chile (FACh), é comparável em complexidade à CRUZEX brasileira. Em 2026, reuniu forças do Chile, Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia e Estados Unidos. O cenário fictício envolvia uma crise regional que exigia a restauração da paz por meio de operações aéreas combinadas, exigindo planejamento conjunto, coordenação em tempo real e elevada capacidade de integração entre diferentes plataformas e centros de comando.
Para o Gripen, o ambiente seco e de alta visibilidade do Atacama foi o laboratório ideal para validar tecnologias de ponta:
Além das missões de superioridade aérea, os pilotos brasileiros participaram de operações compostas (COMAO), nas quais diferentes tipos de aeronaves atuam simultaneamente para cumprir objetivos comuns. Essas missões exigem elevado nível de coordenação entre pilotos, controladores e planejadores, sendo consideradas uma das formas mais complexas de treinamento aéreo atualmente.



A participação brasileira também teve um forte componente de diplomacia industrial. Ao operar simultaneamente o Gripen (fruto de uma transferência de tecnologia inédita com a Suécia) e o KC-390 (orgulho da indústria nacional da Embraer), a FAB posicionou o Brasil como um exportador de doutrina e tecnologia. Países parceiros puderam observar de perto a alta disponibilidade e o desempenho desses vetores em condições climáticas extremas.
Além do aspecto operacional, a presença das duas aeronaves reforçou a capacidade da Base Industrial de Defesa brasileira em desenvolver e operar sistemas de elevada complexidade tecnológica. O Gripen representa um dos maiores programas de transferência de tecnologia já realizados pelo país, enquanto o KC-390 vem consolidando sua posição no mercado internacional após sucessivas vendas para países da Europa e da América Latina. O desempenho de ambos durante o Salitre 2026 serviu como uma vitrine para futuras oportunidades de cooperação e exportação, evidenciando a maturidade tecnológica alcançada pela indústria aeronáutica brasileira.
O encerramento do Salitre 2026 marca o início de uma nova fase para a defesa aérea brasileira. A FAB demonstrou que não possui apenas "máquinas modernas", mas sim um sistema integrado capaz de operar sob os mais rigorosos padrões internacionais de interoperabilidade.
A experiência adquirida no Chile será fundamental para o aperfeiçoamento das doutrinas que serão aplicadas na próxima edição da CRUZEX e em futuras operações internacionais. O Gripen e o KC-390 provaram ser os pilares de uma força aérea conectada, resiliente e pronta para garantir a soberania e a estabilidade na América do Sul.
Mais do que validar o desempenho de suas aeronaves, a participação brasileira reforçou o compromisso da FAB com a modernização contínua de seus meios, com o aprimoramento da interoperabilidade entre forças parceiras e com a consolidação do Brasil como um dos principais protagonistas da aviação militar latino-americana. O Salitre 2026 demonstrou que a combinação entre tecnologia de ponta, treinamento avançado e capacidade logística coloca a Força Aérea Brasileira em condições de atuar com elevado grau de eficiência em cenários multinacionais cada vez mais complexos, fortalecendo sua projeção estratégica no continente.

